Padre Antônio Luiz Dias
Padre Antônio Luiz Dias é sem dúvida, uma das grandes figuras do velho Araranguá a ser colocado num pedestal ao menos igual ao do Coronel João Fernandes de Souza. Padre bom, desprendido, zeloso, interessado não só pelo bem espiritual, mas também físico e social do rebanho espalhado por todo o sertão de Araranguá. Não tinha horas para atender os doentes e levar-lhes os confortos espirituais nos mais remotos rincões da costa da serra.
Mantinha dois animais muito bem tratados, para isto. Quase sempre um sacristão o acompanhava, mas não temia embrenhar-se sozinho pelas picadas das florestas, mesmo à noite, em épocas de intenso banditismo. (No mês de fevereiro de 1924, houve mais de trinta mortes). Nunca cobrou pelas funções sacerdotais. O povo trazia-lhe com carinho o necessário para seu sustento. Eram carradas de lenha, de milho para os cavalos, eram aves e animais. O padre desfazia-se do que não necessitava em favor dos mais carentes. Gostava de dar remédios de ervas, especialmente contra a epidemia mais comum que era a infestação geral de lombrigas. Mandava vir o óleo vermífugo em latas. Reunia a meninada que vinha à igreja e ia dando uma colher do santo óleo a cada um. Um homem bom o padre! Sua casa sempre estava aberta de dia. De noite era só chamar.
Eram celebres pela qualidade seu cavalo e uma mulinha marchadeira. Um dia uns malvados roubaram os animais. Mas o povo andou procurando e acabou achando.
Entre outras atividades, Araranguá deve-lhe a primeira luz elétrica. De inicio tentou com motores a óleo, na Barranca. Não deu bom resultado. Com parêntese outros constituiu uma sociedade. Aí foi até o Meleiro, onde colocou uma hidráulica com turbina e gerador. Não hesitou em pedir emprestadas grandes quantias em dinheiro, conscienciosamente aplicadas e depois devolvido. E eis a usina e extensa rede prontas. Araranguá entra na idade moderna.
Para sentir-lhe o caráter e a maneira de ser, só uma entre as mil anedotas, algumas narradas neste livro, como uma contada pelo Artur Bertoncini: um dia uns integralistas comentaram que o padre era contra o integralismo. Pois eu disse que iria mostrar que não era tanto assim. “Padre Antonio, permita que o andor da procissão seja carregado por nós integralistas, uniformizados de camisa verde?” “Vai ficar bonito!”, comentou. E carregamos o andor.
Padre Antônio já velhinho, foi vitima de ingratidão por parte de alguns araranguaenses. Um abaixo-assinado de umas cem assinaturas foi enviado ao Bispo D. Joaquim, pedindo sua retirada. Ao saber disto, outro abaixo-assinado, agora com mais de mil assinaturas, foi enviado ao Bispo, pedindo para que ficasse. Mas o Bispo foi inflexível. Já ordenara que o padre se transferisse para Camboriú. E para lá foi dizendo: “Que Deus pague aos que me quiseram bem e também aos que não me quiseram”. Diz-se que Deus pagou. As cabeças do primeiro abaixo-assinado, pura coincidência ou não, foram logo morrendo, empobrecendo, adoecendo ou tendo problemas graves na família.
O Padre Antônio ficou gravado na memória de uma geração. A história lhe deve gratidão. Ele morreu no cumprimento do dever sacerdotal, pobre, longe do povo que servira com tanta dedicação.
DALL’ALBA, João Leonir. Histórias do Grande Araranguá. Araranguá; Gráfica Orion, 1997. (Pág. 551,552)
Padre Antônio Luiz Dias é sem dúvida, uma das grandes figuras do velho Araranguá a ser colocado num pedestal ao menos igual ao do Coronel João Fernandes de Souza. Padre bom, desprendido, zeloso, interessado não só pelo bem espiritual, mas também físico e social do rebanho espalhado por todo o sertão de Araranguá. Não tinha horas para atender os doentes e levar-lhes os confortos espirituais nos mais remotos rincões da costa da serra.
Mantinha dois animais muito bem tratados, para isto. Quase sempre um sacristão o acompanhava, mas não temia embrenhar-se sozinho pelas picadas das florestas, mesmo à noite, em épocas de intenso banditismo. (No mês de fevereiro de 1924, houve mais de trinta mortes). Nunca cobrou pelas funções sacerdotais. O povo trazia-lhe com carinho o necessário para seu sustento. Eram carradas de lenha, de milho para os cavalos, eram aves e animais. O padre desfazia-se do que não necessitava em favor dos mais carentes. Gostava de dar remédios de ervas, especialmente contra a epidemia mais comum que era a infestação geral de lombrigas. Mandava vir o óleo vermífugo em latas. Reunia a meninada que vinha à igreja e ia dando uma colher do santo óleo a cada um. Um homem bom o padre! Sua casa sempre estava aberta de dia. De noite era só chamar.
Eram celebres pela qualidade seu cavalo e uma mulinha marchadeira. Um dia uns malvados roubaram os animais. Mas o povo andou procurando e acabou achando.
Entre outras atividades, Araranguá deve-lhe a primeira luz elétrica. De inicio tentou com motores a óleo, na Barranca. Não deu bom resultado. Com parêntese outros constituiu uma sociedade. Aí foi até o Meleiro, onde colocou uma hidráulica com turbina e gerador. Não hesitou em pedir emprestadas grandes quantias em dinheiro, conscienciosamente aplicadas e depois devolvido. E eis a usina e extensa rede prontas. Araranguá entra na idade moderna.
Para sentir-lhe o caráter e a maneira de ser, só uma entre as mil anedotas, algumas narradas neste livro, como uma contada pelo Artur Bertoncini: um dia uns integralistas comentaram que o padre era contra o integralismo. Pois eu disse que iria mostrar que não era tanto assim. “Padre Antonio, permita que o andor da procissão seja carregado por nós integralistas, uniformizados de camisa verde?” “Vai ficar bonito!”, comentou. E carregamos o andor.
Padre Antônio já velhinho, foi vitima de ingratidão por parte de alguns araranguaenses. Um abaixo-assinado de umas cem assinaturas foi enviado ao Bispo D. Joaquim, pedindo sua retirada. Ao saber disto, outro abaixo-assinado, agora com mais de mil assinaturas, foi enviado ao Bispo, pedindo para que ficasse. Mas o Bispo foi inflexível. Já ordenara que o padre se transferisse para Camboriú. E para lá foi dizendo: “Que Deus pague aos que me quiseram bem e também aos que não me quiseram”. Diz-se que Deus pagou. As cabeças do primeiro abaixo-assinado, pura coincidência ou não, foram logo morrendo, empobrecendo, adoecendo ou tendo problemas graves na família.
O Padre Antônio ficou gravado na memória de uma geração. A história lhe deve gratidão. Ele morreu no cumprimento do dever sacerdotal, pobre, longe do povo que servira com tanta dedicação.
DALL’ALBA, João Leonir. Histórias do Grande Araranguá. Araranguá; Gráfica Orion, 1997. (Pág. 551,552)
Anexo Foto do Arquivo Histórico de Araranguá

renan leandro barboza era musico da banda gaucha de rock age of storm, participou da péça de teatro hi brochei.
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